sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Esperou sua deixa e voltou sem avisar.
De verdade, nunca acreditei na sua ausência;
Uma hora ou outra haveria de vir
Pra mostrar que nada é como parece ser.
Não que as coisas não sejam simples;
Tornar simples é conveniente,
Faz querer enxergar o lado bom da vida.
Mas não nego um desconforto:
O medo de abrir essa janela e deixar a luz entrar
Alterando aquela paisagem que via dentro de mim.
Me faz perceber que nada é seu e nem de ninguém.
Tudo é efêmero,
Tudo é eterno;

Tudo comporta o que há de ser.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Enjoy the silence

Hoje, pela primeira vez durante muito tempo, me senti à vontade com o fato de que sou uma pessoa introvertida. Talvez, existam pessoas que simplesmente nasceram para viver mais com aquilo que tem dentro de si, do que com aquilo que vão recebendo de fora ao longo da vida. Traçamos nossos caminhos por linhas tortas, e por mais que queiramos encontrar algum padrão, nunca iremos achar. Não adianta tentar lutar para ser aquilo que eu, infelizmente, ou felizmente, nunca serei.
Diria que estou longe de ser uma pessoa de fácil convivência, essa minha quietude repentina e esse semblante meio mal-humorado as vezes são mal interpretados. Eu almejo autenticidade, sorrisos espontâneos, conversas sem muita encheção de linguiça. Uma das coisas que eu mais dou valor na vida é conseguir desfrutar do silêncio na companhia de outra pessoa.
Tem gente que tá afim de papo 24h por dia, gente que é entendida, sabe de tudo, conversa sobre qualquer coisa e precisa compartilhar toda essa informação. Eu sou meio diferente nesse aspecto. Sempre parti das minhas reflexões, daquilo que faz mais sentido aqui dentro para fora, por vezes contrariando o óbvio. Já me falaram que eu penso demais. Tenho essa tendência de não prestar muita atenção naquilo que a mensagem por inteiro quer dizer, gosto de pegar ideias sintetizadas e pensar sobre elas, gosto de criar um universo de situações na minha mente.Talvez por esse motivo, muitas vezes eu seja um belo incompreendido, por fugir do senso comum, desse raciocínio lógico e dedutivo. E talvez por isso, eu as vezes não consigo me fazer entender quando tento expor o que se passa por aqui.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A chuva e o sereno

Um dia chuvoso que vem após incontáveis dias lindos e ensolarados de inverno me põe a pensar na vida sob um olhar mais crítico, mais focado.
Durante os últimos tempos vivi minha vida de uma maneira um tanto quanto desorientada, com a cabeça avoada, pensamentos desconexos, meio vegetal. De um dia pro outro tudo foi mudando sem que houvesse tempo de reação, e a certeza da concretização dos planos traçados lá atrás já não existia mais. E aí veio aquela sensação de saber o que te aguarda mais pra frente, mas de não ter a menor idéia de como realmente será. Como você saber que um inverno tenebroso te espera e ter que escolher as roupas a serem usadas estando em pleno verão carioca. Tomar decisões referentes a momentos em que você não tem idéia de como estará se sentindo. Você sabe que vai passar frio,  mas não quer se preocupar com isso nesse momento, porque vai ser afetado pelo seu grau de saciedade. Mas não é bem esse o caso, o problema é quando você é obrigado a tomar decisões tendo plena consciência de que passa bem longe das CNTP, e ai vem aquela vontade de parar tudo o que você tá fazendo no meio desse caos e simplesmente observar o rumo que as coisas tomam.
A frente fria que entrou hoje pela janela do meu quarto veio me dizer que o hiato tinha que terminar . Uma tarde chuvosa, vazia, escura, silenciosa e meio dramática. Mais ou menos como em um espetáculo onde todas as luzes ficam apagadas e aquilo que merece atenção fica no “spotlight”. E assim foi que eu comecei a enxergar o meu panorama sob uma perspectiva diferente.
Chega uma hora em que o saldo da balança da nossa felicidade fica escancarado na nossa frente e nós conseguimos ver aquilo que nos traz aquela felicidade leve e aquilo que nos retém. Infelizmente - por mais que isso doa - uma hora você tem que largar a mão daquilo que ama se não é frutífero, se a mudança não acontece.
Sempre me considerei uma pessoa muito fiel aos valores que acredita, e no final das contas o que acaba valendo mesmo é a felicidade que vem de você; não tem muito a ver com os outros. Você saber que te faz bem ser do jeito que é, ainda que muita gente não vá entender, vá ter uma ideia errada sua, pensar que você desistiu.