Um dia
chuvoso que vem após incontáveis dias lindos e ensolarados de inverno me põe a pensar na vida sob um olhar mais crítico, mais focado.
Durante os
últimos tempos vivi minha vida de uma maneira um tanto quanto desorientada, com
a cabeça avoada, pensamentos desconexos, meio vegetal. De um dia pro outro tudo foi mudando sem que houvesse tempo de reação, e a certeza da concretização dos planos traçados lá atrás já não existia mais. E aí veio aquela sensação de saber o que te aguarda mais pra frente,
mas de não ter a menor idéia de como realmente será. Como você saber que um
inverno tenebroso te espera e ter que escolher as roupas a serem usadas estando
em pleno verão carioca. Tomar decisões referentes a momentos em que você não tem idéia de como estará se sentindo. Você sabe que vai passar
frio, mas não quer se preocupar com isso nesse momento, porque vai ser afetado pelo seu grau de saciedade. Mas não é bem esse o caso, o problema é quando você é obrigado a tomar decisões tendo plena consciência de que passa bem longe das CNTP, e ai vem aquela vontade de parar tudo o que você tá fazendo no meio desse caos e simplesmente observar o rumo que as coisas tomam.
A frente fria
que entrou hoje pela janela do meu quarto veio me dizer que o hiato tinha
que terminar . Uma tarde chuvosa, vazia, escura, silenciosa e meio dramática. Mais
ou menos como em um espetáculo onde todas as luzes ficam apagadas e aquilo que
merece atenção fica no “spotlight”. E assim foi que eu comecei a enxergar o meu panorama sob uma perspectiva
diferente.
Chega uma
hora em que o saldo da balança da nossa felicidade fica escancarado na nossa
frente e nós conseguimos ver aquilo que nos traz aquela felicidade leve e aquilo que nos retém. Infelizmente - por mais que isso doa
- uma hora você tem que largar a mão daquilo que ama se não é frutífero, se a
mudança não acontece.
Sempre me
considerei uma pessoa muito fiel aos valores que acredita, e no final das
contas o que acaba valendo mesmo é a felicidade que vem de você; não tem muito
a ver com os outros. Você saber que te faz bem ser do jeito que é, ainda que
muita gente não vá entender, vá ter uma ideia errada sua, pensar que
você desistiu.