Hoje, pela primeira vez durante muito tempo, me senti à vontade com o fato de que sou uma pessoa introvertida. Talvez, existam pessoas que simplesmente nasceram para viver mais com aquilo que tem dentro de si, do que com aquilo que vão recebendo de fora ao longo da vida. Traçamos nossos caminhos por linhas tortas, e por mais que queiramos encontrar algum padrão, nunca iremos achar. Não adianta tentar lutar para ser aquilo que eu, infelizmente, ou felizmente, nunca serei.
Diria que estou longe de ser uma pessoa de fácil convivência, essa minha quietude repentina e esse semblante meio mal-humorado as vezes são mal interpretados. Eu almejo autenticidade, sorrisos espontâneos, conversas sem muita encheção de linguiça. Uma das coisas que eu mais dou valor na vida é conseguir desfrutar do silêncio na companhia de outra pessoa.
Tem gente que tá afim de papo 24h por dia, gente que é entendida, sabe de tudo, conversa sobre qualquer coisa e precisa compartilhar toda essa informação. Eu sou meio diferente nesse aspecto. Sempre parti das minhas reflexões, daquilo que faz mais sentido aqui dentro para fora, por vezes contrariando o óbvio. Já me falaram que eu penso demais. Tenho essa tendência de não prestar muita atenção naquilo que a mensagem por inteiro quer dizer, gosto de pegar ideias sintetizadas e pensar sobre elas, gosto de criar um universo de situações na minha mente.Talvez por esse motivo, muitas vezes eu seja um belo incompreendido, por fugir do senso comum, desse raciocínio lógico e dedutivo. E talvez por isso, eu as vezes não consigo me fazer entender quando tento expor o que se passa por aqui.