De certo modo, nunca me senti tão bem. Uma peculiar e
contraditória sensação de harmonia é cada vez mais presente. Cada vez mais, eu
sou capaz de enxergar os acontecimentos dentro de diferentes contextos,
respeitando a singularidade de cada caso. E quão libertador é isso. Não se
trata da relativização por si mesma, mas de um ponto de partida que te permite
caminhar pra frente, seja qual for a direção.
Sou grato à minha relutância em refletir um pouco menos. Na
vida, tudo tem um tempo pra acontecer. Em algum momento, aquelas inquietações
desarticuladas começam a fazer sentido, e você é capaz de olhar pra trás e
entender aqueles porquês.
Não tem a ver com uma leveza que se manifesta no desapego.
Pelo contrário: é uma visão mais clara do conjunto da obra. Que se por um lado
vai cerceando aquilo que você não enxergava um problema, por outro te permite
lapidar o seu legado de forma mais consciente. É a abertura para se poder
pensar de forma crítica todos aqueles assuntos que você entende que merecem a
sua atenção sem que sejam excludentes ou inapropriados dentro do seu momento de
vida.
Poder reconhecer suas limitações para crescer.