domingo, 28 de outubro de 2012

Ela estava ali, sempre esteve.
Escondida, meio tímida.
Marcada pela sarcástica característica de me deixar na mão nos momentos onde mais precisei.

Você parece um sonho. Aqueles sonhos que terminam bem no clímax, tendo sido bom o bastante para te deixar deprimido nos primeiros minutos do dia.

Ou um protótipo que parece não ter ido pra frente, sendo você obrigado a se contentar com as lembranças e os devaneios do que poderia ter sido.

Me pego rezando todas as noites para que você não saia mais de perto de mim.

Parece não surtir efeito, desde sempre você vem e vai quando quer.
E o faz sem um aviso prévio, sem um sinal de consideração.

Não é certo; ainda encontro um sentido nessa grosseria.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cruz Credo

Não seja passivel à uma análise superficial. Não seja transparente, raso. Seja aquilo que à primeira vista instiga um olhar de fora. Aquilo que te permita olhar para dentro e ver além. Desvie o foco, pare de se olhar no espelho. Desenvolva suas ideias, dê uma chance para sua criatividade aflorar. Jogue a reatividade para bem longe. Exercite o seu corpo, exercite as suas ideias. Descubra o que é que te retrai. Viaje mais, conheça outros lugares, outras pessoas. Escute o que elas tem a dizer. Acabe com essa arrogância que te faz pensar que é melhor do que alguém, que te faz achar que a sua cosmovisão é padrão de referência.

E pare com a procrastinação.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Nos embalos de sábado a noite

Você , que ilumina tudo aquilo que há por fora,
emite um clarão que me deixa meio cego.
E junto, traz esses ruídos cotidianos,
que por vezes ensurdecedores,
me impedem de escutar aquilo que eu queria ouvir.

Esse céu preenchido por estrelas,
no entanto , me acende por dentro.
Vem com brisa fresca aqui da floresta,
o som de um ou outro pássaro,
e de um ou de outro carro.
E nessa conjuntura,
da-se um toque especial à paisagem sonora.
O tempo passa mais devagar,
O acorde da viola ganha vida.

Da varanda de casa, consigo ver minha aurora boreal,
E o que era essencial, assume um novo posto.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Destinos paralelos

Quando sim, eu não
Quando não, eu era sim.
Quando não sabia, sim e não;
E não era nenhum dos dois.
Noite bonita para se admirar,
noite ruim para ser careta.
Cumprir o que estava no script,
era pular as entrelinhas.
Dar um espaço, cagar no pau.
Tentei descontrair,
mas o clima era de seriedade, frieza.
Nossos tempos como sempre paralelos;
Pessoa certa na hora errada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Skylight

Me transporta para outra dimensão.
Fosse você o sol e os demais pontos estrelas,
orbitando à sua volta.
Essa luz que encanta, que seduz;
Abre um universo de possibilidades.
Instiga, quebra fronteiras.
Com uma sutileza ímpar,
ostenta o poder aos olhos de quem é capaz de enxergar
Cai a noite e é só você quem vejo.
Como um gatilho disparado,
liberta meus pensamentos,
paradigmas vão se quebrando e, de repente,
nada mais importa,
a não ser esse momento de contemplação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Inside the Barrel

Por vezes, posso ver além desse branco.
Invadido por essa superfície opaca, entretanto,
volto para aquele lugar de antes,
e de nada serviu toda aquela diligência.
Olhei para o lado e consegui ver mais longe,
enxerguei aquilo que a rotina ofuscava
As cores ficaram mais vivas, a audição mais aguçada,
me fazendo escutar somente aquilo que importava.
Como o surfista que atrasa sua onda,
despreocupado e sem pressa,
sentindo a emoção de estar envolto no chapéu,
por mais breve que fosse aquele momento,
me projetei além.